Sinto saudade de me sentir acolhida em braços conhecidos.
Sinto saudade de sentir que vale a pena.
Sinto saudade de dormir junto.
Saudade de rir.
De chorar.
Chorar de rir.

Sinto saudade de ter alguém como melhor amigo
e amante.
Sinto saudade de acordar sorrindo.
Sinto saudade de ir dormir sonhando.
De dançar junto como se nada mais importasse.
E gargalhar de perder ar.
E chorar de se sentir afogando.

Sinto saudade até de discutir
e perceber que não vale a pena se for pra perder
Sinto saudade de cafuné
E de nescau as 3h da manhã rindo por nada
De ser idiota
De me sentir idiota

Sinto saudade de me sentir completa sozinha
mas eu experimentei a droga do amor
e meu caro universo, que doce droga
Não me tirou o prazer estar só
mas me mostrou a maravilha que é estar a dois


Ultimamente eu só tenho sentido vontade de escrever sobre uma única coisa: amor.  Não por estar apaixonada ou por acreditar naquela doce ilusão que tudo é perfeito com ele, mas por finalmente o sentimento fazer sentido pra mim.
Durante a minha breve existência muitas palavras já lhe serviram como sinônimo. Ora era dor, ora felicidade, ora vazio. Nenhuma delas parecia a longo prazo se encaixar, mas todas definitivamente tiveram seus momentos, e eu me achava tão certa que jurava ser entendimento de outras vidas. É nessas horas que percebemos: ser e nos sentirmos jovens é uma maravilha pra lá de subestimada. Rezo para que o universo perdoe aqueles que não veem o poder da juventude, e sua inocência e teimosia, eu inclusa. 
Sempre tive que amadurecer um tanto mais rápido do que aqueles com quem convivia, pelas situações da vida ou por pressão de ser extraordinária, eu tinha de estar à frente, coisa que nunca me foi dita explicitamente, mas era perceptível. Portanto, sempre me cobrei muito. Me cobrava a entender, a questionar, a aprender e absorver de forma que muitas vezes não correspondiam à idade ou situação, e nisso me cobrava a saber a amar. O engraçado é que jamais me cobrei a saber ser amada. 
Parece um pouco egocêntrico quando falamos sobre aprender a ser amado. Quase como se todo amor recebido, não importando sua forma, tivesse de ser acolhido de braços abertos e aceito de qualquer forma. Se ele te machuca a primeira coisa que vem à cabeça é "mas eu sou amada", e o pensamento não é errado, apenas incompleto, lhe falta o ponto de interrogação, e é nele que eu baseio todos os meus descobrimentos acerca do amor. 
Me parecia absoluto, incontestável, amar. Pra mim era sobre grandes gestos e declarações, demonstrações públicas e felicidade sem fim, até que eu amei e fui amada pela primeira vez. Foi quando percebi que a coisa é muito mais delicada e frágil, apesar de extremamente forte. É sobre ele, ela, o pai, a mãe, os irmãos, os amigos. É sobre entrar num universo que nada tinha a ver contigo e se fazer parte dele. É sobre compartilhar e acreditar, saber limites, é sobre crescer e ver crescimento. Mas o lado que mais me surpreendeu foi quando vi que amar era também saber abrir mão e deixar ir. E me surpreendeu porque nos parece tão óbvio, tão mesquinho não pensar dessa forma, mas a prática teima em não seguir a teoria. 
Então amei a segunda vez. Mais conturbada e intensa, me mostrou a montanha russa que podemos ser, e quão cruel e doce, nas mesma proporção, o amor pode se tornar. A loucura que viver é. 
Apesar de poucos amores, já vi muitos, nas suas mais diversas formas. Loucos, apaixonados, histéricos e loucos apaixonados histéricos. Calmos e relutantes, lentos e invencíveis. Rápidos e eternos. Em tantas formas, intensidades e tempos, ainda cismamos em criar uma definição para algo tão mutável.
 "Quem ama de verdade não machuca", mas é óbvio que machuca, somos seres humanos falhos e incorretos e a definição viva da palavra "babaca", nós não prestamos, então por que não machucaríamos? É nessa parte que entra a aprender a ser amado. É olhar pra si e perguntar se esse machucado é condizente com o amor que deveria ser recebido. É perguntar se foi intencional, se o perdão fará bem, se vale a pena. Nós só temos uma única vida, é preciso fazer e persistir somente em coisas que valham a pena. 
Foi nisso que percebi que amor é aprender. Aprender sobre si, sobre o outro, sobre a vida e sobre a morte. É aprender que nem tudo que vale a pena é perfeito, e que nem tudo que é perfeito vale a pena. É dançar na cozinha enquanto bêbados, discutir por coisa idiota, imaginar cenários impossíveis, planejar dias de fazer nada, é dividir comida. É saber dar fim mesmo que não tenha acabado. Amor é  tão imperfeito, turbulento e barulhento quanto a vida, mas para uma romântica como eu, amor e vida são só duas palavras pra mesma coisa. 

Se imagina numa espécie de octógono e você tá vendado, não dá pra tentar prever o próximo movimento do seu adversário, você tá sozinho e tentando se defender. No primeiro soco, tudo beleza, levanta, se sacode, se ergue. É fácil. Foi só uma porrada, você é mais que isso, você sabe disso. Um espaço de tempo surge, a guarda sobe, a respiração se acalma, os pensamentos se organizam, você escuta um movimento, chão. Tudo bem, é só levantar, não se atreva a ficar aí, você é mais que isso. O ciclo se repete, tempo, guarda, respiração, ordem, chão. Lá pro quinto soco, você já tá de saco cheio, não aguenta mais. No último, você cai. As duas mãos fechadas em punhos estão no chão enquanto você tenta se manter, pelo menos, de joelhos.
E repete, você é mais que isso. Então todas as suas dúvidas sobre si mesmo surgem e a escuridão de estar com os olhos vendados vai pra sua mente. Todos os seus pensamentos se embolam, sua respiração reduz, não tem ninguém te sufocando, não tem ninguém te tocando. Não tem ninguém. É só você, a tua luta é com você mesmo. Se defender significa se machucar, mas ficar sem fazer nada significa ficar no chão, dói nas duas vias e o desespero te persegue. 
A cabeça pesa, a mandíbula trava, a respiração não se acalma, os pensamentos não organizam, a tua guarda não levanta e por que não levanta? Tem que levantar, tem que reagir, tem que enxergar, tem que pensar, se todo mundo consegue, você consegue porra. Levanta, vai ficar aí? Tá achando que é especial? LEVANTA PORRA. Mas pra que levantar se você sabe que o próximo soco tá vindo? Você sabe que ele tá ali, pouco interessa a direção que ele vem, pouco interessa a intensidade, ele tá ali. Pra que eu vou levantar?
Duas opções estão bem na sua frente, seguir ou ficar. A escuridão continua ali, a falta de ar, tudo. O que tem que mudar é você, é hora de decidir se vai se machucar se defendendo ou apanhando, mesmo que seja de você mesmo. Tudo é uma grande confusão, como se todo o espaço-tempo fosse uma massa extremamente densa e pesada, mas isso não pode interessar agora. As suas dúvidas sobre si não podem te vencer agora. A questão nunca parece vir uma com uma interrogação no final, parece que tudo já está definido. Você nunca se sente no controle. É destino, você repete incansavelmente pra assim se poupar de perceber que mesmo o destino tem suas bifurcações. 
A venda não vai sair, os socos já foram dados. 
A mandíbula continua travada, os pensamentos embolados.
O espaço de tempo é dado, é a hora que você decide. 
Não é certo, não é errado.
É você consigo mesmo. Então?

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