Eu odiava o carnaval. Não via sentido em gente suada, nojenta e bebada.
Até que eu fui pra um bloco.
Até que saí pelas ruas do Rio.
E eu vi.
Felicidade pura e, na mais simples das definições, louca. Completamente louca.
Gente fantasiada de gente, bicho, desenho ou só com muito glitter. Mas felizes, da forma mais genuina possivel.
Gente sendo simpática com gente, bicho e ate um poste.
Gente rindo.
Cantando e dançando.
Num país onde tem tanta merda, eu vi gente sendo gente.
Sendo quem e o que era pra ser.
Como que eu vou odiar isso?
Como que alguém odeia tanta cor, amor, riso e canto?
Você já pegou as barcas em carnaval?
Faz isso.
Foi lá que eu me apaixonei.
Era uma segunda de pré carnaval
Gente de abelha
e de terno
Todos cantando alguma música que eu não sei como sabia a letra.
Era harmonia.
Como na descida de Santa Teresa
onde um segundo bloco se formou
e eu te juro
eu nunca pulei tanto na minha vida.
Porque carnaval é isso
é felicidade e energia de onde ninguém nem sabia que tinha.
É
em todas as definições
lindo.

Meia noite. 31 de dezembro. Praia.
Tudo que eu pensava era como eu queria e precisava escrever, mas tava sem bateria no celular. Só pensava que queria um caderninho e lembrei que Brunno tá com o meu. Brunno, se você ler isso e não tiver me dado o caderno ainda, olha o que você causou, cara.
Não que o caderno já fosse meu, ou que fosse obrigação dele me dar um, eu só gostei muito quando ele me contou a surpresa. Tenho planos pro querido, sou mulher ansiosa. Mas, voltando.
Pensava que precisava escrever não porque achei o amor da minha vida na praia de Itaipu, mas porque vi felicidade genuína, espontânea e livre. Não há nada que me dê vontade de escrever mais do que isso, nem o amor. Não que não houvesse amor espalhado por todos os lados, em cada partícula de ar, mas as risadas e berros de "chupa, Copacabana!!!!!" na queima de fogos foram o que fizeram me sentir em casa, mesmo que estivesse numa praia onde eu só conhecia 8 pessoas.
Ver meus pais dançando ao som de música eletrônica -coisa só não mais detestada que funk por eles- enquanto se beijavam, ver três crianças caindo no conto da "água envenenada" pra que não se molhassem antes de irem embora, ou o casal ao meu lado que brigou nos 10 minutos anteriores à meia noite e na queima de fogos se olharam e gritaram "FODA-SE MERMAO'

É estranho perceber nossa própria evolução, olhar para trás e ver como mudamos. É um misto de orgulho com estranheza, como quando você planeja muito uma viagem e finalmente chega na cidade escolhida: é estranho porque é novo, mas é bom, muitas vezes pelo mesmo motivo.
Tenho me percebido muito diferente, mas de alguma forma permanecendo a mesma. É, confuso, mas você já deveria me conhecer o suficiente pra saber que posso mudar o quanto quiser, a confusão é parte inseparável de mim, assim como a fé inabalável no amor ou a vontade de comer pizza. Acho que chamam isso de essência, o que é exatamente sobre o que queria lhe falar.
Passei por um ano difícil, voltei a um dos pontos mais fundos da minha depressão e me forcei a coisas que numa mente sã jamais faria. Perdoei fora de hora, me castiguei sem porquê, me derramei por coisas que já havia me prometido jamais chorar novamente, e sorri muito pouco. Mas me conforta pensar que passei por tais coisas porque precisava. Gosto de pensar que somos como casas, temos que constantemente ser arrumados e ajeitados com pequenas reformas, ou até mesmo grandes, afinal, acrescentar um cômodo ou outro agrega valor. Somente assim estaremos prontos para abrigar aqueles que mesmo casas, não se sentem lar. 
Então me prometi que iria mudar, iria continuar com as mudanças mas de forma mais calma e sutil, acho que já tive o suficiente do radical. Foi nessa promessa que percebi o quanto havia mudado, e o quanto havia gostado de mudar. Andava apressada, afobada, sem conseguir pensar para onde e por que ia, correndo contra o tempo e todos, mas quem eram todos? Nem eu sabia. 

Eu te perdi.
Mas tá tudo bem.
Eu acho.

Acho que nenhuma palavra vai me definir agora tão bem quanto saudade.
Entrei no teu tumblr, vi tuas fotos e lembrei de tudo. Lembrei da primeira foto que você me mandou, tirada da janela do teu quarto, com filtro do snapseed. Ninguém conhecia o vsco em 2014, e você não conhecia o quão bom era nessa coisa de tirar foto. Eu lembro de mostrar a  minha mãe e ela falar "meu genrinho vai longe, não solta dele nunca", mas como toda boa adolescente rebelde que não escuta a mãe, larguei.
Entrar no teu tumblr é uma experiência "peculiar" -palavra que você constantemente usava para me definir-, eu sei que já não te conheço tão bem mas tenho certeza do quão feliz ou apaixonado você tava em cada foto. Eu sei exatamente quais delas você realmente gosta e quais você se orgulha mais.
Mexer lá me machuca um tanto. Ver as fotos que você tirou dela e todo o sentimento por trás me faz pensar se algum dia ela já foi a sua peculiar. Aposto que sim, e espero que sim. Não por ser uma masoquista louca mas por saber que você mais que ninguém merece se apaixonar e ser feliz.
Acho que nunca consegui assumir isso pra ninguém e provavelmente é a primeira vez que assumo isso pra mim mesma, mas sinto tua falta. Sinto falta do teu riso tímido, do jeito que você fica puxando a blusa pra baixo e do quão implicante/palhaço consegue ser. Algumas vezes pensei em enfiar sua cabeça na privada? Sim, mas eram as melhores partes do meu dia.
Eu tô dois anos atrasada. Dois anos desde que terminei contigo e te magoei de jeito que nunca quis. Terminamos onde começamos, literalmente. E eu acho que mesmo nesse espaço de tempo eu nunca te agradeci pelo quão feliz você me fez, por todas as vezes que eu fiz um pouquinho de xixi nas calças e pela musiquinha do coco. Pelo dia que a gente ficou se encarando e falando "u ok bruh?" ou pelo Monstros S.A de madrugada. Nunca te agradeci por ter me aturado e ficado comigo mesmo quando eu sabia que tava sendo o famoso porre. Nunca te agradeci por ter me feito crescer e por me ensinar, verdadeiramente, o que é empatia.
Tem uma foto nossa que eu me recuso a apagar, a gente tá na casa do teu melhor amigo e você já usava cabelo raspado e barba. Alguma coisa tinha acontecido, mas a gente tava feliz. Era uma foto da gente fazendo careta, pra variar. Eu tinha acabado de cortar o cabelo e você tava pensando na sua próxima tatuagem, as always.
Dois anos juntos e agora dois anos separados.
Eu espero que você esteja genuinamente feliz.
Eu sempre vou te amar.
Obrigada.

Eu tinha tudo na minha mão.
Tudo que eu sempre quis.
E eu não enxergava.
Não enxergava a claridade
nas sombras
e a clareza
no ruído.
Não ouvia o som descompassado
daquele que sempre manteve o
ritmo.
Eu segurei nas minhas mãos
mesmo que desproporcionais
a única coisa que eu
sempre
quis.
E eu larguei
porque mesmo assim
mesmo que quisesse
não queria aquilo.
Sempre fui insatisfeita
e na teimosia que
me constitui
sempre serei.

Ele nunca vai ler isso.
Não que eu vá deixar escondido, guardado às 7 chaves, mas por simplesmente não se interessar. O desinteresse não é proposital, pelo menos acredito eu, é tudo consequência da vida cansativa que leva. Não tão cansativa ao ponto de realmente justificar sua falta de interesse, mas me machuca menos acreditar que sim.
Ele nunca vai ler isso.
Simplesmente porque não gosta do que escrevo. Ele acha minha escrita infantil, "bonitinha", por definição dele, o que me desanima, afinal, apesar de não acreditar que seja, isso me entristece. Nunca tive, ou sequer terei, a intenção de escrever magnificamente, sempre quis da forma mais acessível e palpável. Há aqueles que digam que o leitor tem que se educar para entender a mensagem, mas eu já acredito na frase que ouvi por toda a minha vida: "Você pode ter gritado a sua mensagem pra uma multidão, mas se uma pessoa não entender, você não disse nada.". Aprendi a escrever assim, e não seria quem sou sem essa mentalidade.
Ele nunca vai ler isso.
Digo porque sei que não vai procurar. Não vai querer saber de mim. Não vai se importar porque não me importei com ele, em sua cabeça, pelo menos. Porque beijei outro. E contei. Talvez você pense que deveria ter ficado quieta, afinal não namoramos e isso era tudo que eu achava que queria. Mas aquele dia foi que eu percebi que me faltava um verbo quando falava o que queria. Eu "achava", jamais tive certeza, e isso me parecia suficiente, mas lembrei que já errei por isso antes, e não posso me render ao mesmo erro duas vezes em nome de um achismo romântico. Errei, machuquei, e me arrependi. Não do ato em si, mas da minha inocência em deixar a história chegar a essa ponto.
Ele nunca vai ler isso.
Mas eu queria que lesse. Queria que soubesse ao menos uma parcela do que passa pela minha cabeça, e assim, talvez, me contaria o que passa na dele, ou mostraria. Porque apesar de ser uma grande fiel das palavras tenho uma certa dificuldade em acreditar quando saem de bocas que não conheço a mente.
Ele nunca vai ler isso.
Mas deveria se não mente quando fala de mim. Deveria porque preciso que saiba que nunca menti, e cheguei tão perto de o amar. Deveria porque preciso que entenda que agi racionalmente pela primeira vez em muito tempo. Porque não posso amar por agora. Porque não posso me magoar. Porque apesar de achar impulsos necessários, agora preciso do repouso. Repouso pra minha alma, mente e sanidade se alinharem e se entenderem. Preciso que entenda que preciso ser egoísta, e que essa é uma das tarefas mais difíceis da minha vida. Afinal, eu sou eu.  E apesar dele não saber isso, tudo que eu mais busco é amor e histórias sobre ele. Me privar disso é me privar de mim, mas se é o necessário pra que eu seja eu novamente, hei de fazer.
Mas ele nunca vai ler isso.

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