Eu tinha tudo na minha mão.
Tudo que eu sempre quis.
E eu não enxergava.
Não enxergava a claridade
nas sombras
e a clareza
no ruído.
Não ouvia o som descompassado
daquele que sempre manteve o
ritmo.
Eu segurei nas minhas mãos
mesmo que desproporcionais
a única coisa que eu
sempre
quis.
E eu larguei
porque mesmo assim
mesmo que quisesse
não queria aquilo.
Sempre fui insatisfeita
e na teimosia que
me constitui
sempre serei.

Ele nunca vai ler isso.
Não que eu vá deixar escondido, guardado às 7 chaves, mas por simplesmente não se interessar. O desinteresse não é proposital, pelo menos acredito eu, é tudo consequência da vida cansativa que leva. Não tão cansativa ao ponto de realmente justificar sua falta de interesse, mas me machuca menos acreditar que sim.
Ele nunca vai ler isso.
Simplesmente porque não gosta do que escrevo. Ele acha minha escrita infantil, "bonitinha", por definição dele, o que me desanima, afinal, apesar de não acreditar que seja, isso me entristece. Nunca tive, ou sequer terei, a intenção de escrever magnificamente, sempre quis da forma mais acessível e palpável. Há aqueles que digam que o leitor tem que se educar para entender a mensagem, mas eu já acredito na frase que ouvi por toda a minha vida: "Você pode ter gritado a sua mensagem pra uma multidão, mas se uma pessoa não entender, você não disse nada.". Aprendi a escrever assim, e não seria quem sou sem essa mentalidade.
Ele nunca vai ler isso.
Digo porque sei que não vai procurar. Não vai querer saber de mim. Não vai se importar porque não me importei com ele, em sua cabeça, pelo menos. Porque beijei outro. E contei. Talvez você pense que deveria ter ficado quieta, afinal não namoramos e isso era tudo que eu achava que queria. Mas aquele dia foi que eu percebi que me faltava um verbo quando falava o que queria. Eu "achava", jamais tive certeza, e isso me parecia suficiente, mas lembrei que já errei por isso antes, e não posso me render ao mesmo erro duas vezes em nome de um achismo romântico. Errei, machuquei, e me arrependi. Não do ato em si, mas da minha inocência em deixar a história chegar a essa ponto.
Ele nunca vai ler isso.
Mas eu queria que lesse. Queria que soubesse ao menos uma parcela do que passa pela minha cabeça, e assim, talvez, me contaria o que passa na dele, ou mostraria. Porque apesar de ser uma grande fiel das palavras tenho uma certa dificuldade em acreditar quando saem de bocas que não conheço a mente.
Ele nunca vai ler isso.
Mas deveria se não mente quando fala de mim. Deveria porque preciso que saiba que nunca menti, e cheguei tão perto de o amar. Deveria porque preciso que entenda que agi racionalmente pela primeira vez em muito tempo. Porque não posso amar por agora. Porque não posso me magoar. Porque apesar de achar impulsos necessários, agora preciso do repouso. Repouso pra minha alma, mente e sanidade se alinharem e se entenderem. Preciso que entenda que preciso ser egoísta, e que essa é uma das tarefas mais difíceis da minha vida. Afinal, eu sou eu.  E apesar dele não saber isso, tudo que eu mais busco é amor e histórias sobre ele. Me privar disso é me privar de mim, mas se é o necessário pra que eu seja eu novamente, hei de fazer.
Mas ele nunca vai ler isso.

Sinto saudade de me sentir acolhida em braços conhecidos.
Sinto saudade de sentir que vale a pena.
Sinto saudade de dormir junto.
Saudade de rir.
De chorar.
Chorar de rir.

Sinto saudade de ter alguém como melhor amigo
e amante.
Sinto saudade de acordar sorrindo.
Sinto saudade de ir dormir sonhando.
De dançar junto como se nada mais importasse.
E gargalhar de perder ar.
E chorar de se sentir afogando.

Sinto saudade até de discutir
e perceber que não vale a pena se for pra perder
Sinto saudade de cafuné
E de nescau as 3h da manhã rindo por nada
De ser idiota
De me sentir idiota

Sinto saudade de me sentir completa sozinha
mas eu experimentei a droga do amor
e meu caro universo, que doce droga
Não me tirou o prazer estar só
mas me mostrou a maravilha que é estar a dois


.......